sábado, 27 de outubro de 2012

Menti-te!

Estavas linda e provavelmente posta em sossego. Estarias talvez a umas boas e enérgicas 20 pedalas... mas preferi manter as distâncias na massa crítica.

Não foi por pudor ... mas bolas! Que palavras poderia ter-te dito ontem que não as tivesse já expresso, directamente ao teu coração, naquelas noites de estio em que iluminados plo candeeiro do teu prédio, me despedia de ti?

Que fica por dizer quando me exponho todo, nas linhas deste blog, sem sequer um sinal teu com que me possa coser? ...Talvez... Talvez isso mesmo: que me exponho todo. Porque te menti, sabes?

Menti-te quando, na véspera de tornar público este projecto, te escrevi explicando que o fazia para divulgar e dar a ler ao mundo os maus versos que de quando em vez rabisco.

Menti-te! E fi-lo porque isto não é nenhuma experiência literária, mas uma manifestação de amor: patética, ingénua e desesperada como qualquer genuína manifestação de amor.

E se toda a gente me aconselha a pedalar em frente... sabes tu que mais? Pois fica sabendo que estou-me nas tintas para aquilo que possa o mundo julgar! Mesmo não correspondido, eu quero viver esta história: a história de amor dum anarco-ciclista que um dia conheceu a rapariga da bicicleta vermelha e por ela se apaixonou fatalmente.