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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Poema do Fausto

 A minha aposta com o Diabo haveria de ficar registada em verso, retomando o tema do Fausto e servindo-me das semelhanças e estreitos simbolismos que entendia existirem entre o meu próprio apelido e condição, com o que no romance de Goethe era narrado.



Poema do Fausto 

Tolas estrelas giram tão cegas,
tolo de ti que sempre te entregas:
nos livros já vinha escrita esta sina,
que em fatal sedução feminina,

fosse imolado em duro holocausto…
por Margarida… um certo Fausto.
Vinha nos livros e era previsível
que tu seguisses o traço tangível…

Malditos serão os que nunca caíram,
também os profetas que tudo previram!
Aprende que a falta, o erro e o crime

estão nos maus versos, ainda que rime.
E mesmo que negues, esperneeis e cismes,
apenas te resta patinho feio seguir os cisnes.
 


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O que eu sinto por ti...

O que sentias tu há um ano, sinto eu nos dias de hoje. E precisamente por ter pelo meio intuído que éramos capazes de sentir o mesmo que de facto e deveras sentimos... é que tenho sentido desde sempre o imenso e tanto  que por ti sinto. E desde o princípio que o pressinto! Sentes o que por ti sinto? Foi intuitivamente sentido: sei que o sentimento que há um ano atrás sentias, sinto eu agora. Trocámos, invertemos papéis! E apesar da sentida separação, sinto ainda que se fossemos capazes de afinar as agulhas do sentir... projectaríamos direccionado e compassadamente o uníssono sentimento de que somos capazes quase como ninguém, mas que tem sido sentido por cada um de nós à vez, para seu lado e em opostas direcções. O que sentias há um ano, sinto eu nos dias que correm. Amo-te sentida e profundamente. E sinto sem ressentir.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Já que falávamos de Debussy...



Escrito (e depois "visualizado") há uns largos, largos tempos atrás... à distancia do tempo, imagino que tenha ficado uma beca lamechas.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A maldição*

O ritual foi cumprido,
O feitiço foi feito.
Não há volta nem jeito
De escapar ao estabelecido.

Mágicos símbolos pintados,
No solo sulcado… Um pentagrama.
Óh esquecidos Deuses invocados:
Enrabichai-me vós esta Dama.

“Estiveres tu onde estejas,
Por diferentes que sejam os céus,
Por mais olhos que vejas…
Neles verás sempre os meus.”

E assim, entre o despeito e a paixão:
Foi lançada, foi lançada, foi lançada a Maldição!


* Podes crer que fui à bruxa

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

provocação Poética*

A Menina Azul desceu desceu,
dos cosmos desceu num raio de luz
desse luar que a todos seduz.
Vinha da Lua lá donde nasceu

e seguindo no rasto do Cruzeiro do Sul,
espelhavam seus olhos... os céus de Istambul!
Até os seus lábios eram diamantinos,
lembrando os rios de tão cristalinos.

No cabelo ondulava o mar maresia:
a Menina Azul... azul fantasia.
E num manto de espuma de algodão alado

a Menina Azul... poisou delicado!
E calada a charneca com o coaxado…
consagraram-se os sapos ao anjo azulado.


*you know what they say about the old blue eyes, don't  you?
...  oh yes you do baby,
oh yes you do.

domingo, 6 de janeiro de 2013

dormir dormem os mortos

A noite é doce e serena
mas a saudade fustiga ruim:
embora longe, meiga morena,
forras-me os sonhos de cetim.


you can bet it's a bluff!
 just give me the proper time to fix things

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Coração preso

Coração preso, vontade quebrada, pernas vacilantes, braços caídos, fôlego perdido, lábios cerrados, olhar mortiço e pensamentos soltos.

olhos nos olhos

Quando os teus olhos falam
cessa o murmúrio do mundo...
e os meus logo se embalam
sob transe assaz profundo.

Quando os teus olhos me fitam
expressivos como os de ninguém...
há segredos que se agitam,
calando-se os meus também.

E em hipnose emudecidos,
por discurso tão loquaz,
os meus olhos são rendidos
por um só olhar fugaz.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

amor proibido

Entre cálidos desejos
e por biombos de pudor,
ocultam-se os meus beijos
sussurrando-te o amor.

E sou à vista de ninguém,
de nós nem sabe Deus,
tragado aos braços teus
e omisso qual refém.

Alheios a mais olhos,
em fuga e a compasso,
sem rasto, pista ou traço

perdemo-nos pelos dias
fechando os mil ferrolhos,
vendando as fantasias.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

0 rigor religioso

Todo casto ao ser ungido com sagrados óleos teus, 
escuto sempre embevecido quando clamas "ai meu Deus!” 
Num sussurro in-ter-mi-ten-te ou num BRADO todo ardente, 
gelas-me com arrepios, fazes de mim quase um crente.

E se vestes seda branca, virginal e rendilhada, 
apenas venero o anjo – só te falta ser alada! 
Mesmo pro altar subindo toda em transe e devoção... 
Como posso adorá-Lo, Deus da Crucificação?

Seja então excomungado, ad perpetuam bem banido, 
ateu ao fundo da alma, eu por ti já sou caído. 
Não serei nunca refém do rigor religioso, 
Resgatado já eu sou… Quando atinges o teu Gozo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

E para te causar ainda + ciúmes

Teus olhos trazem prados
duma verdura sem fim:
são Primavera florida
pela chuva no capim

Teus olhos de verde pinho,
viçosos como os de ninguém,
são a seiva pró caminho
e a raiz que faz refém.

5000 mil leituras já mereciam bem uma só lambidela das tuas, rapariga...

Viajo em torno do meu quarto,
passeio dentro de mim:
se há Destino que não farto
é procurar-te amor sem fim.

E deito e amanheço
sempre a sonhar,
sem fim nem começo:
é eterno o deambular.

Seja pois ao Destino dado,
destino que decidi eu:
viver de ti encadeado,
pela luz do olhar teu…

domingo, 16 de dezembro de 2012

Vem

Vens! Sinto teus firmes passos
próximos e cada vez mais
pelas serras e areais
enlaçam-te já meus braços.

Vens! Sinto não ser miragem
ou bruma esvanecida
tua sombra já vivida
na vertigem da viagem.

Vens! Chega já quase quase
à minha nuca teu arfar
esbaforida por clamar

sem reticências na frase...
que dirás ao meu ouvido:
"o Passado é olvido".

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

a última ganza

Pedalei há pouco por estradas laranjas, laranjas do fogo, no rasto da luz diáfana deixada da dança de Shiva, bailando junto do rio plo som composto dum vento furioso soprando iras. E cortando a noite, sob a batuta de mastros agitados, escutava-se apenas  o tintilar de mil ferros  e o ranger de mil cordas embalando, por entre velas ufanadas,  o constante e zangado vagido do mar. Pedalei por uma fria e desolada escuridão: fui até ao spot que era o nosso e perdi no caminho de volta... a minha última ganza.




quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

7 justificações para uma idolatria



muitas miúdas gostariam de andar de bicicleta,
mas tu pedalas;
muitas miúdas usam adornos,
mas tu exprimes
muitas miúdas caprichavam,
mas tu nem ligas;
muitas miúdas gostariam de fazer viagens de sonho,
mas tu sonhas;
muitas miúdas gostariam de acertar no perfume,
mas tu não;
muitas miúdas gostariam de ir àquela festa,
mas tu escutas Beatles no teu quarto;
muitas miúdas gostariam de estar ou pousar,
mas tu és!
Há muitas miúdas no mundo,
mas nenhuma tem a tua pedalada.
E isso deve ter um significado qualquer.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A dama de copas...

És a dama de copas e senhora do meu coração: o domínio da vontade e dos desejos, dos meus passos e destino pertencem-te por inteiro, pois és tanto a brisa da Primavera que passa, como a chaleira que chia num Outono agasalhado já de lãs e melancólicos suspiros. Desfiar de estações, revolução solar, trânsitos celestes e trama cósmica...

És tudo e também a sombra intangível ou o murmúrio do mar, a trova cantada e a eleita miragem. E serás todo um rol de adjectivos, metáforas e figuras de estilo, mas todos os rendilhados reunidos não te fariam justiça, se tu és senão a dama de copas, a completa senhora de mim através dos dias de chumbo e das noites plenas.

E é pois por ti que pedalo - pela dama de copas, senhora do meu coração, brasão do meu estandarte, horizonte perseguido e Graal que me escapa... É pra ti que pedalo senhora das copas, senhora de mim.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Outra pista...

Do Levante veio moreno,
aquilino e de turbante,
um arábico veneno...

Mas à menina do castelo,
sua bicla presto selo:
dou-lhe a espada, a malha d'aço,
mais o escudo brasonado para o braço!

E  de elmo emplumado a pena branca,
toda airosa com o olhar conquistador...
a intrépida ciclista lá desanca
sobre o mouro infiel, o almansor.


Já que tanto perguntam... Se a descobrirem, se se cruzarem com ela, testemunhem-lhe que o meu amor que lhe guardo... é um amor verdadeiro.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Uma pista*

Teu cabelo sedoso,
suave como cetim,
sereno e amoroso,
entrançando-me sem fim...

Tuas madeixas sem nexo,
teu cabelo por revolver,
são o novelo complexo
que eu bem tento desprender...

Entre cálidos castanhos,
fragrâncias a ondular,
lanzudos como rebanhos...
centeios estão por ceifar!


* Já que algumas pessoas ontem, no passeio das ciclovias, me abordaram sobre a rapariga da bicicleta vermelha... Ainda que te tenha prometido o devido anonimato, não posso deixar de - ao menos! - dar a uma pista qualquer a quem tanto se interessou por esta história.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"basófia, basófia...
até pareces um bófia"
by "Rute Rockabilly"

ou os melhores versos publicados neste blog